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PLANTÃO DA REDAÇÃO "CNM": ALERTA

Menino de 3 anos é internado na UTI após ser picado por escorpião em escola no Grande Recife

Danielle Fonseca, TV Globo
14 de Agosto de 2026 às 11:45
7 min de leitura
Menino de 3 anos é internado na UTI após ser picado por escorpião em escola no Grande Recife

Mãe disse que soube do acidente após receber ligação da unidade de ensino, localizada em Igarassu. 'Foi soltando baba e ficando pálido, desfalecendo', contou.

Por Danielle Fonseca, TV Globo

  • O menino André Luiz, de 3 anos, foi internado após ser picado por um escorpião na escola onde estuda em Igarassu, no Grande Recife.
  • O acidente aconteceu na terça-feira (11). A criança está internada na UTI do Procape, no bairro de Santo Amaro, na área central da capital pernambucana.
  • A escola localizou o animal e informou que a espécie era um escorpião-amarelo, o mais comum no estado.
  • Dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES) mostram que, de janeiro a julho deste ano, Pernambuco registrou 9.932 atendimentos a vítimas de escorpião.

Menino de 3 anos é internado na UTI após ser picado por escorpião

No segundo dia da volta às aulas, o pequeno André Luiz, de 3 anos, foi picado na mão por um escorpião na escola onde estuda, em Igarassu, no Grande Recife. Ele está internado na UTI do Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco Professor Luiz Tavares (Procape), no Centro da capital .

O acidente aconteceu na terça-feira (11). A mãe de André, Letícia Souza, disse que recebeu uma ligação da escola informando que o menino se queixava de ter sido picado por um "bichinho", mas, até então, não se sabia que era um escorpião. Pouco tempo depois, um novo telefonema informou que a criança estava com muita dor.

"Com dez minutos, ela ligou e ele estava gritando de chorar. Eu e meu pai chegamos lá e levamos ele para o Hospital de Igarassu. Assim que preencheu a fichinha, ele já saiu vomitando. Depois que parou de vomitar, foi soltando uma baba e ficando pálido, desfalecendo. E aí foi transferido para o Hospital da Restauração, no Recife", contou.

A dor intensa é o principal sintoma associado à picada de escorpião. Depois do acidente, a escola encontrou o animal e informou à mãe que a espécie que picou André foi o escorpião-amarelo. De acordo com a Vigilância Ambiental de Pernambuco, essa é a espécie mais comum no estado (saiba mais abaixo).

"Ele já chegou no Hospital da Restauração apagado. Lá, tomou o soro antiescorpiônico e foi entubado porque a picada lesionou o coração e o pulmão dele. Ele já foi direto para a UTI e, na sexta-feira (7), foi transferido para o Procape porque aqui é o hospital mais qualificado para os casos que afetam o coração e o pulmão", afirmou a mãe.

Segundo Letícia, o menino já foi extubado, mas segue na UTI. Os exames têm apresentado estabilidade.

"O coração e o ecocardiograma que a gente fez ontem [quarta-feira, 12] está normal, graças a Deus, e ele tirou a sonda do xixi. Agora é esperar ele despertar mais da sedação porque foram muitos dias, para ele ir acordando e conseguir tirar a sonda da alimentação e estar comendo. É aguardar os próximos dias, como a médica disse. É viver um dia de cada vez", disse.

Apesar da melhora apresentada nos últimos dias, a mãe afirmou que o processo de recuperação ainda exige paciência e acompanhamento constante da equipe médica. Segundo ela, a expectativa da família é que André continue evoluindo para deixar a UTI e receber alta hospitalar.

"Eu estou no automático. Quando eu vejo ele daquele jeito, porque ele é uma criança extremamente ativa, às vezes a ficha cai e bate a crise de choro, desespero. Mas eu tenho que manter forte. É aquela coisa de você querer desmoronar e não poder porque ele está só comigo aqui. Então, eu tenho que estar firme todos os dias para dar o melhor para ele", contou.

André Luiz, de 3 anos, foi picado por um escorpião na escola onde estuda, em Igarassu, no Grande Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

André Luiz, de 3 anos, foi picado por um escorpião na escola onde estuda, em Igarassu, no Grande Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

Mais de 9 mil casos

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), de janeiro a julho deste ano, foram 9.932 mil atendimentos a vítimas de picadas de escorpião no estado. Durante todo o ano de 2025, 19.591 pessoas receberam atendimento tanto na rede pública quanto nos hospitais particulares de Pernambuco.

Segundo o diretor geral de Vigilância Ambiental de Pernambuco, o biomédico sanitarista Eduardo Bezerra, a espécie que picou André é a mais comum no estado e responde pela maior parte dos acidentes registrados no estado. Segundo ele, há ainda suspeitas da presença de outra espécie, mas, até o momento, ela não foi associada a ocorrências confirmadas.

"Nós temos principalmente o escorpião-amarelo do Nordeste, que é o stigmurus, mas existem suspeitas de que a gente pode ter aqui o escorpião amarelo-puro, que é o serrulatus, mas a gente nunca teve nenhum caso associado a ele", detalhou.

Além da dor intensa, a picada pode provocar outros sintomas em decorrência da reação do organismo principalmente em crianças e idosos, considerados os grupos de maior risco para casos graves.

"Geralmente em decorrência da dor, por ser muito intensa, muitas pessoas têm acionamento de outras reações do sistema nervoso. Então, quando a gente sente muita dor, muitas vezes fica enjoado, vomita, perde o sentido. É muito comum em função desse sintoma principal, que é a dor muito intensa", afirmou.

Em caso de incidente, o especialista orienta que, se possível, o animal deve ser levado para a unidade de saúde, vivo ou morto, desde que isso seja feito com segurança. A identificação da espécie pode ajudar a equipe médica durante a avaliação do paciente.

"Pode levar vivo o morto. Não tem problema nenhum. Inclusive, se você reconhecer, se tiver uma foto, pode levar. Não temos uma variedade de espécies de escorpião, geralmente é uma espécie só. O relato já serve, mas, se você conseguir levá-lo vivo ou morto, obviamente com cuidado, se ele estiver vivo, para você não ser mais uma vítima também. Então, é muito importante ter essa identificação", explicou.

O especialista disse também que o escorpião é um animal que vive em locais quentes, úmidos e com esconderijos, como entulhos, restos de construção e acúmulo de lixo. Segundo ele, nesta época do ano, a mudança entre o período chuvoso e o de estiagem altera o comportamento da espécie.

"Os insetos são muito sujeitos à mudança do ambiente, e a gente está nessa época numa mudança, numa transição do período de chuva para o período de sol e isso faz com que o comportamento dele mude. Então, não é que seja uma época de reprodução, é uma época de mudança de atividade, então ele fica mais ativo", disse.

Escorpião-amarelo que picou o menino André Luiz de três anos — Foto: Reprodução/WhatsApp

Escorpião-amarelo que picou o menino André Luiz de três anos — Foto: Reprodução/WhatsApp

O que fazer?

Segundo Eduardo, a primeira orientação é manter a calma e procurar atendimento médico imediatamente. Quanto mais rápido a vítima for avaliada, maiores são as chances de receber o tratamento adequado, especialmente em crianças, idosos e pessoas com sintomas mais intensos.

"Primeiro, acalmar a vítima porque a dor é muito intensa. Depois, é tentar identificar o animal, porque é muito importante levar. Como a picada do escorpião não necessariamente deixa uma marca tão visível, tão fácil de ser reconhecida, levar o animal favorece que você saiba lá o que vai ser feito, e levar a pessoa imediatamente para a unidade de saúde", disse.

O especialista também alertou que não devem ser utilizados produtos caseiros sobre o local da picada nem medicamentos por conta própria, já que essas práticas podem atrapalhar a avaliação médica e até agravar o quadro.

"Não usar remédio caseiro. A gente tem uma crendice popular onde se usa açúcar, azeite, óleo, qualquer coisa que venha na cabeça do pessoal, então evitar esse tipo de produto é muito importante. Depois, não tentar usar nenhum medicamento porque pode prejudicar na identificação dos sintomas ou outro medicamento subsequente na hora do tratamento e procurar uma unidade de saúde", explicou.

Veja onde procurar ajuda:

  • Hospital Geral de Areias
  • 📍Avenida Recife, 810, Estância - Recife
  • ℹ️ Unidade de referência com soro antiescorpiônico
  • Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Pernambuco (CIAtox)
  • 📞 0800.722.6001
  • ℹ️ Serviço de teleatendimento 24 horas, com orientações sobre intoxicações por medicamentos, produtos químicos, agrotóxicos ou acidentes com animais peçonhentos e indicação da unidade de saúde mais adequada em Pernambuco.

Plantão da Redação: Central de Notícias do Matuto “CNM”

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