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PLANTÃO DA REDAÇÃO "CNM": POLÍCIAL (ACUSAÇÃO DE ASSÉDIO)

Instrutor de academia nega assédio e diz que mordida em aluna foi 'brincadeira'

g1 Pernambuco
25 de Agosto de 2026 às 12:47
5 min de leitura
Instrutor de academia nega assédio e diz que mordida em aluna foi 'brincadeira'

Instrutor de academia nega assédio e diz que mordida em aluna foi 'brincadeira'

Advogados afirmam que havia relação de intimidade entre professor e aluna e que gesto não teve conotação sexual. Professora contesta versão e diz que nunca teve intimidade com instrutor.

Por g1 Pernambuco

25/08/2026 00h00  Atualizado 

  • A defesa do instrutor Filipe Gomes da Silva afirmou que a mordida em uma professora de 25 anos foi uma "brincadeira infeliz e despropositada" sem conotação sexual.
  • O caso ocorreu em 19 de maio em uma academia no Recife. Imagens registram o homem segurando a aluna pela cintura e mordendo as costas dela.
  • A defesa alegou que ambos mantinham intimidade. A vítima negou proximidade e relatou que ele costumava passar a mão em suas costas sem consentimento.
  • A professora reencontrou o instrutor trabalhando na academia na quarta-feira (19). O local informou que o chamou excepcionalmente para cobrir duas diárias.

Professora denuncia assédio após ser mordida e agarrada por instrutor de academia

A defesa do instrutor de academia Filipe Gomes da Silva, denunciado por uma professora de 25 anos por importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal, afirmou que a mordida registrada por uma câmera de segurança ocorreu durante uma "brincadeira infeliz e despropositada" e não teve conotação sexual.

O caso aconteceu em 19 de maio, em uma academia no bairro de Passarinho, na Zona Norte do Recife. A professora, que não quis se identificar, afirma que foi agarrada contra a vontade e mordida pelo instrutor. As imagens mostram o momento em que ele se aproxima, segura a mulher pela cintura e a morde nas costas.

Segundo os advogados, Filipe e a aluna tinham uma relação de "intimidade e confiança", com conversas frequentes sobre questões pessoais. A defesa afirma, ainda, que ela costumava levar lanches para o professor e que o vínculo entre os dois "transcendia a relação profissional típica do ambiente de trabalho".

A professora, por outro lado, afirma que nunca teve intimidade com o instrutor e que já havia se sentido incomodada com comportamentos dele antes do episódio.

"Só queria que as pessoas entendessem que eu não tive nenhum tipo de intimidade com ele. Eu não era próxima, não cheguei a ter nenhum tipo de intimidade. E me colocar em um local onde eu não estava é muito ruim. Eu não sou assim", afirmou, em entrevista à TV Globo.

De acordo com os advogados de Filipe Gomes da Silva, no dia do episódio, a professora teria demonstrado desânimo para realizar o treinamento. Nesse contexto, segundo a defesa, Filipe disse, "numa brincadeira infeliz e despropositada": "se você não treinar vou lhe morder".

A nota afirma que ele realizou o gesto "de forma lúdica e descontraída", sem qualquer intenção ou conotação sexual.

A defesa, porém, reconhece que a conduta ultrapassou os limites esperados na relação entre professor e aluna.

"Filipe reconhece que sua conduta extrapolou os limites tanto da relação interpessoal quanto das normas profissionais esperadas, e por isso assume responsabilidade por tal comportamento inadequado. Contudo, nega veementemente que suas ações tenham sido motivadas por qualquer teor sexual. Reafirma que nunca manteve qualquer interação desta natureza com a referida aluna ou com qualquer outra, encontrando-se genuinamente surpreso com as acusações formuladas", diz nota enviada pelos advogados Maria Julia Leonel Barbosa, Bruno Cícero Romão da Silva e Ivanilson da Silva Albuquerque.

Os advogados afirmam que o instrutor nega que a ação tenha sido motivada por interesse sexual e dizem que ele pretende colaborar com a investigação.

Entenda o caso

Momento em que professora é agarrada e mordida por instrutor de academia no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

O caso aconteceu em 19 de maio e foi denunciado à polícia no dia 22 do mesmo mês. Entretanto, teve novo desdobramento na quarta-feira (19), quando, segundo a denunciante, o homem acusado voltou a trabalhar na Academia ElevaFit, onde ocorreu o caso.

A jovem contou ao g1 que o instrutor costumava passar a mão em suas costas, tentar abraçá-la e pegar em sua cintura, mesmo quando ela não queria.

Segundo ela, no dia do episódio, o instrutor pediu um abraço. Ela teria recusado e sugerido que os dois apenas cumprimentassem as mãos.

"Ele veio, me agarrou sem meu consentimento e mordeu minhas costas. Eu fiquei muito estressada, ele notou e disse que era uma brincadeira. Na hora, eu fiquei sem forças, sem reação", relatou.

Em entrevista à TV Globo, ela também afirmou que, em outras ocasiões, tentava se afastar dos abraços do instrutor, mas ele insistia.

A professora registrou boletim de ocorrência três dias após o episódio. O caso foi inicialmente levado à Delegacia da Mulher de Olinda e posteriormente registrado no Recife.

Depois que encontrou novamente o instrutor trabalhando na academia, três meses após a denúncia, ela procurou a polícia outra vez. O vídeo da ocorrência foi anexado ao boletim, segundo a vítima.

A Polícia Civil investiga o caso como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal. A professora também passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML).

A defesa informou que pretende apresentar provas e testemunhas para esclarecer o caso.

Instrutor voltou à academia

A denúncia ganhou novo desdobramento na quarta-feira (19), quando a professora encontrou Filipe novamente trabalhando na academia.

Segundo a ElevaFit, ele não foi recontratado ou readmitido. A academia afirmou que profissionais da equipe precisaram se afastar por questões médicas e que, diante da dificuldade para encontrar substitutos, chamou o antigo funcionário "excepcionalmente para a cobertura de duas diárias".

A academia disse que, em maio, desligou Filipe assim que tomou conhecimento do episódio, prestou assistência à aluna e disponibilizou as imagens às autoridades.

O estabelecimento afirmou ainda que não compactua com a conduta relatada e que está à disposição para colaborar com a investigação.

Plantão da Redação: Central de Notícias do Matuto “CNM”

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